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Pernambuco, 24 de junho de 2026

Saúde

Sertanejas com comorbidades temem pela demora da chegada da vacina contra Covid-19

Pessoas com comorbidades e menos de 60 anos ocupam a 10ª posição da lista de prioridades para vacinação, atrás dos idosos em asilos, idosos acima de 60 anos, pessoas com deficiência institucionalizadas, povos indígenas e trabalhadores da saúde. Temem a lentidão da fila pela demora da vacina.

Postado em 16/03/2021 19:54

Colunista
Jornalista ,

Quem convive com doenças como diabetes, Lúpus ou é transplantado, teme pela demora da chegada da vacina . A comorbidade é a junção de duas ou mais doenças em um mesmo indivíduo. O Jornal do Sertão conversou com duas mulheres que convivem com esses problemas de saúde e esperam com ansiedade a imunização contra a Covid-19.

Vacina contra Covid-19 chegou a cerca de 10 milhões de brasileiros. Foto: Agência Brasil

O Programa Nacional de Imunização, infelizmente, ainda está andando em passos lentos no país. Até esta terça-feira, 16 de março, o Brasil aplicou ao menos uma dose de vacina contra Covid-19 em cerca de 10 milhões de pessoas, o que equivale a 4,7% da população brasileira. Segundo dados do Ministério da Saúde, até ontem foram distribuídas 20 milhões de doses aos estados.

Se ainda não foi possível vacinar em totalidade nem o primeiro grupo prioritário, dada a ainda restrita quantidade de doses, qual será o sentimento das pessoas que estão posições mais distantes da lista? 

O Jornal do Sertão deu um zoom na lista de espera por vacinas na região. E conta duas histórias de sertanejas que têm uma ou até mais razões do que a maioria da população para aguardar com ansiedade a imunização: são as pessoas com comorbidades.

Convivendo com o Lúpus

Niwdeleide Costa tem Lúpus e é transplantada. Foto: Redes sociais

Niwdeleide Costa Lima Rocha é professora readaptada de Petrolina e portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Aos 49 anos, ela convive com o Lúpus desde 2004 e em julho deste ano completa oito anos de transplante renal.

Nilde, como é conhecida, relatou ao Jornal do Sertão a descoberta do Lúpus Eritematoso Sistêmico. “Comecei a sentir os sintomas (dores e inchaço nas articulações e no rosto). E fui medicada para tratar um reumatismo. E as dores foram surgindo e nada de um diagnóstico concreto. Casei e engravidei e começou a surgir complicações como ameaças de abortos constantes. Após o nascimento do meu filho sofri uma crise na qual não conseguia mover nenhuma articulação, fiquei cheia de manchas púrpuras em todo o corpo e foi quando tive o diagnóstico do Lúpus. Fiquei sem chão e aí comecei a buscar informações de causas, tratamento e cura, descobri que era uma doença autoimune, sem cura, ainda, onde eu teria que conviver com ela e suas reações”.

Anos depois, ela passou a enfrentar mais um problema, dessa vez em um dos rins. “Em 2011 meu rim diminuiu a sua capacidade de filtragem e fui submetida a sessões de hemodiálise. Em 2013 apareceu um rim para mim. Foi uma bênção de Deus. Foram muitas superações e graças alcançadas”, contou a professora.



Pertinho do meio século de vida, Nilde hoje segue os dias ansiosa pela imunização contra Covid-19. “Hoje estou aqui procurando me defender de um vírus invisível que vem dilacerando o mundo. E minha maior angústia é esta, dependendo de uma vacina que não chega para nos dar um minuto de paz e de esperança na superação desse vírus. Vivemos em uma angústia e agradecendo a Deus por cada dia vencido. Essa lentidão da vacina me deixa angustiada e nervosa fazendo com que o Lúpus entre em atividade e nos deixe a merecer desse vírus onde as pessoas não acreditam”, lamentou Nilde.

Convivendo com a diabetes e à espera da vacina

Antonise Coelho é professora aposentada e presidente da Associação dos Diabéticos do São Francisco. Foto: Reprodução redes sociais

A professora aposentada do IF SERTÃO PE, Antonise Coelho de Aquino, tem 52 anos e há 26 convive com a diabetes mellitus. Ela preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco (ADISF).

Antonise escolheu lutar por melhorias para as pessoas que enfrentam a mesma doença que ela e moram na região do Vale do São Francisco. Hoje, a presidente da entidade resumiu o sentimento de quem tem comorbidades e segue na lista de espera sem saber quando receberá sequer a primeira dose da vacina.   

“Vivemos um momento grave desta pandemia do Covid-19 e acreditamos que somente com as vacinas poderemos ter uma vida mais normal e tranquila. Evitaremos tantas mortes e desespero das famílias. Por isto, nosso apelo àquelas pessoas que não acreditam nos efeitos positivos da vacina, que mudem de posicionamento. Aproveitem a oportunidade de tomarmos uma vacina que nos impede de ter a doença em estágio mais crítico. Nós, que somos pessoas com diabetes mellitus, estamos na torcida para que a vacina chegue ao grupo de pessoas com comorbidades e possamos assim, não sofrer mais. Já perdemos familiares e amigos e agora, não queremos ter as nossas vidas encerradas, com tantos projetos de vida a serem desenvolvidos”, afirmou Antonise. 

Afinal, o que são comorbidades?

Vale explicar melhor o que são comorbidades, palavra que ficou tão evidenciada no curso da pandemia de Covid-19. A comorbidade é a junção de duas ou mais doenças em um mesmo indivíduo. Por exemplo, uma pessoa com hipertensão e diabetes, tem patologias associadas, ou seja, ela tem comorbidades.

Há grupos e faixas etárias que podem desenvolver mais facilmente mais de uma doença. Um exemplo disso são os idosos.

O Ministério da Saúde divulgou uma versão do Plano Nacional de Imunizações (PNI) e quatro informes técnicos que apresentam diretrizes para a vacinação ou detalhamentos. O mais recente deles cita a ordem para vacinação. Nele, as pessoas com comorbidades ocupam a 10ª posição. Atrás dos idosos institucionalizados, idosos acima de 60 anos, pessoas com deficiência institucionalizadas, povos indígenas e trabalhadores da saúde.