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Pernambuco, 24 de junho de 2026

Educação

O cotidiano da sala de aula e a arte de ensinar

Ensinamos muito, mas aprendemos muito mais!

Postado em 19/10/2021 18:03

Prof. Diedson Alves Mestre em Ciência da Educação

Tão misteriosa é a sala de aula que ao adentrar nela torno-me um “herói sem capa, um guerreiro sem espada”, porém com um poder encantador, capaz de captar brilhos nos olhares, sorrisos que contagiam, silêncios que inquietam, sacadas que inspiram, conversas que desafiam, conteúdos que despertem, que encantem, na busca de cumprir a missão: de materializar sonhos a perspectiva de serem humanamente felizes a ponto de fazerem a diferença no espaço de atuação.

Por isso, após vinte anos de sala de aula, lecionando nas mais diversas esferas da educação da rede pública e privada, o que não encaro como salvo conduto, muito pelo contrário,  sinto desafiado, encantado, motivado a encarar as intempéries que o contexto atual se mostra. 

Imagem Reprodução net

Dentre tantas, uma das lições inesquecíveis dada pelos meus grandes mestres, acrescento aqui meus pais, grandes professores da história da vida – eduque pelo exemplo – entre seu discurso e prática não pode haver lacuna. Nasci aqui o professor de si mesmo. Aquele que cobra e é cobrado, que exige e é exigido, que motiva e é motivado.

Assim tenho a convicção de estar devolvendo para o mundo aquilo que o mundo me deu. Desde a minha primeira professora que me alfabetizou, pegando na minha mão, onde através deles, pude materializar e associar desde muito pequeno que, cuidar e amar são sinônimos ao escrever minhas primeiras manifestações de amor “mamãe linda, papai lindo” – “eu amo mamãe, eu amo papai”. 

Abrindo caminhos para que outros professores em outras modalidades fossem me lapidando, tornando-me um ser humano menos incompleto, mais reflexivo e extremamente resiliente, pois os desafios, os embates do magistério são enormes e a construção e reconstrução da vida de docente é algo constante. Nós nos superamos a partir de nós mesmos, mas essa força só é possível por sabermos que existe muita gente que depende de nós que muitas vezes busca em nós força para seguir em frente. Não é dado ao professor o desânimo, a tristeza, a desesperança, não nos cabe não acreditar, desistir, pois nossas apostas são altas, apostamos no sucesso da humanidade, convictos que a vida é um projeto que foi feito para dar certo.

Ensinamos muito, mas aprendemos muito mais! Certa vez um aluno curioso com a profissão, convicto de que seria professor, me fez várias perguntas sobre a docência e no meio da conversa, em sala de aula, ele traçou aquilo que é uma das capas do magistério contando a seguinte estorinha – certa vez, um profeta chegou numa região para dar uma palestra à noite, todos da comunidade preparam as maiores tochas, já que o lugarejo não tinha luz elétrica, cada um buscava a maior madeira para mostrar ao ancião tamanha luz que tinha. Nisso um menino pega uma vela e ascende para o grande evento, todos riram de sua vela diante das exuberantes tochas que exibiam. 

Tudo pronto, iluminação perfeita e aquela pequena vela incomodava os demais, até que uma terrível tempestade recaiu sobre o lugar, muita chuva, muito vento, todas as tochas se apagaram, menos a vela, o menino conseguiu proteger com o seu corpo num canto de parede e a mesma se manteve acessa durante toda a tempestade, passado o momento, passada chuva e a ventania, a vela da criança acendeu todas as tochas para que o evento ocorresse.

E de tantas lições que esse momento nos deixa, a que mais me chamou a atenção foi: mesmo diante de todas as tempestades, crise, desacertos, guerras, pandemias, enquanto houver o professor em sala de aula haverá sempre a esperança de dias melhores. A luz do professor não é a que mais brilha, mas aquela que contribui para que as luzes se sobressaiam. Muitas vezes desacreditado, muitas vezes sem ser dado o devido valor, mas na convicção de que sua luz não deve se apagar nunca, pois como tão bem expressa Cora Coralina: “Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos”. 

E o que aconteceu com esse aluno, tornou-se professor? Isso é história para um próximo encontro. Como um final de aula essa coluna não termina quando acaba. Assim fico por aqui, me despedindo da forma que concluo todas as minhas aulas – muito obrigado fiquem com Deus, guardem de mim sempre os melhores pensamentos, dirigindo para outra sala, outro desafio com a bolsa cheia de esperança.