
Covid-19: Vacinação para crianças começa, mas divide opiniões
Para Pernambuco foram enviadas 60 mil doses pelo Ministério da Saúde (MS). Toda a logística já estava montada para o envio das doses para todas as 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres).
Postado em 16/01/2022 07:00

Policial Militar Naldo não acredita na eficiência da vacina e não autoriza a imunização do filho Enzo/ Arquivo Pessoal
A vacina para crianças de 5 a 11 anos tem dividido opiniões no Brasil. A começar pelo próprio Governo Federal, que optou inicialmente em fazer uma consulta pública aberta e encerrada no último dia 2 de janeiro com pouco menos de 20 mil interações. A recomendação do Ministério da Saúde era para que a vacina fosse aplicada apenas com a autorização dos pais ou responsáveis e com a prescrição médica, o que gerou polêmica, por ignorar a autorização já concedida da Anvisa para vacinar os mais jovens.
A redação do JS, ouviu pais com opiniões diferentes sobre o assunto, e eles defenderam seus pontos de vista. Naldo Santana, policial militar, declarou que não vai levar seu filho, Enzo Nicolas de Souza Santana, de 10 anos, para tomar a vacina e justifica. “Nunca na história mundial uma vacina ficou pronta para uso então pouco tempo. Desde que estudei sempre ouvi dizer que para uma vacina ser colocada em prática teria que ter pelo menos 10 anos de estudo, diferente dessa. Baseado nisso meu filho não será vacinado. Vamos seguir com todos os cuidados até que se tenha uma certeza maior sobre os efeitos colaterais da vacina”, declarou Naldo.
Já o jornalista e professor, Josenaldo Rodrigues afirmou que a demora para vacinar o filho, Luan Brito Rodrigues, de 9 anos, é a vacina chegar a sua cidade, Juazeiro, no Sertão baiano. “Quando a gente nasce já toma vacina, eu não entendo o motivo do governo brasileiro protelar essa vacina para crianças. Tenho dois filhos, um de 12 anos que já está vacinado e estou ansioso para a liberação dos pequenos para o mais novo de 9 anos também receba a primeira das duas doses”, enfatizou Josenaldo.
Logística
Depois de muita embate, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que o primeiro lote com as vacinas Pfizer chegaram ao Brasil nesta sexta-feira, 14 de janeiro, e já foram distribuídas para Estados e Municípios.
Para Pernambuco foram enviadas 60 mil doses pelo Ministério da Saúde (MS). Toda a logística já estava montada para o envio das doses para todas as 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres). A distribuição iniciou nesta sexta (14) e foi finalizada no sábado (15).
As Gerências Regionais de Saúde ficam responsáveis por disponibilizar os imunobiológicos para aos gestores municipais, que possuem autonomia na criação de estratégias para promover o acesso a sua população. Até o momento, a vacina da Pfizer é a única autorizada pela Anvisa para aplicação na faixa etária dos 5 a 11 anos. Das 60 mil doses enviadas a Pernambuco, 5.960 serão destinadas para 100% dos indígenas com esta faixa etária e 53.980 doses serão para 4,28% da população de crianças de 5 a 11 anos, dentro do grupo prioritário.
Esquema vacinal
O esquema vacinal será com duas doses, com intervalo de oito semanas entre as aplicações. O tempo é superior ao previsto na bula da vacina da Pfizer. Na indicação da marca, as duas doses do imunizante poderiam ser aplicadas com três semanas de diferença. Segundo o Ministério da Saúde, será preciso que a criança vá vacinar acompanhada dos pais ou responsáveis ou leve uma autorização por escrito.
Os números , segundo a Fiocruz
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última semana do ano de 2021, uma nota técnica que destaca a importância da vacinação contra a Covid-19 em crianças com idade entre 5 e 11 anos, citando também que no Brasil, até o dia 4 de dezembro, foram notificados 5.126 casos de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19, na faixa etária de menores de 1 ano, já de 1 a 5 anos foram 5.378 casos e, de 6 a 19 anos, 9.396 casos.
Em relação às mortes, foram notificados 1.422 óbitos por SRAG confirmados por Covid-19. Desses, 418 tinham menos de um ano de idade, 208 vítimas tinham até cinco anos e 796 tinham entre seis a 19 anos.
Em Pernambuco, desde o início da pandemia da Covid-19, foram confirmados 13.751 casos da doença na faixa etária de 5 a 11 anos. Deste número, 13.509 foram de casos leves e 242 de síndrome respiratória aguda grave (srag).
Alerta Influenza
Não bastasse a preocupação com a pandemia da covid-19, os brasileiros agora precisam redobrar os cuidados com a gripe Influenza H1N1, que agora apresenta uma nova variante no país a H3N2, que foi diagnosticada em cidades do sertão pernambucano, deixando a gestão estadual em alerta ampliando o monitoramento das Síndromes Gripais (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o estado.
Os especialistas em síndromes respiratórias explicam que os sintomas da H3N2 e Covid-19 e suas variantes são bem parecidos, por isso é muito importante que sejam feitos exames para detectá-los, pois cada um tem um tratamento específico.