


Andrezza Santos: do Sul para o Sertão e do Sertão para o mundo
A paulista Andrezza Santos declara seu amor pelo sertão do Vale do São Francisco, ao afirmar que, apesar de ter nascido em São Paulo, seu umbigo está enterrado na cidade natal de sua mãe, Uauá, no sertão baiano.
Postado em 17/04/2022 11:00

Foto Divulgação
Aos 24 anos, Andrezza Santos que hoje tem residência fixa em Juazeiro (BA), iniciou sua carreira aos 13 anos e desde então vem construindo seu trabalho autoral através da mistura de elementos musicais que passeiam entre a Música Popular Brasileira e o experimentalismo eletrônico.
A artista fez curso de violão e canto popular, e foi recepcionada pelo saudoso Manuca Almeida que lhe abriu as portas do mundo artístico no Vale do São Francisco. Andrezza já dividiu o palco com cantores como Verônica Ferriani, Paulo Neto, Zezé Motta e Danilo Caymmi e acumula participações e prêmios em festivais de música pelo Brasil afora.
Em 2019 fez o lançamento de seu primeiro álbum, “Alto Lá”, que aborda sobre o despertar, a liberdade e o empoderamento feminino. Em plena pandemia, em 2021, lançou seu novo álbum, “EUTRÓPICA”, dividido em três partes, a última lançada em meados de março.
Jornal do Sertão – Conta um pouco da sua história, quando a música entrou na sua vida?

“Hoje posso dizer que vivo meu sonho de criança, vivo da música e da arte e sou grata aos meus pais pelo incentivo”, declarou Andrezza
Andrezza Santos – A música sempre esteve presente na minha vida, assim como a arte. Meus pais Irlany e Roberto mesmo não sendo da área artística sempre me incentivaram a cantar, dançar e atuar.
“Aos seis anos ganhei do meu pai meu primeiro violão, comecei a estudar música e nunca mais parei, fiz aula de cantar, estudei no conservatório de música em São Paulo e aos 13 participei do programa Cantando no SBT, que eu percebi que cantar não era apenas diversão ou brincadeira, era meu desejo profissional e a partir daí nunca mais parei, não me vejo fazendo outra coisa.”
Meus pais me mostraram que para ser uma boa profissional tinha que estudar muito. Hoje posso dizer que vivo meu sonho de criança, vivo da música e da arte e sou grata aos meus pais pelo apoio.
JS – Você é de São Paulo, como veio morar no Vale do São Francisco? A cultura aqui te deixou mais inspirada?
AS – Eu nasci em São Paulo, mas meu umbigo está enterrado em Uauá, sertão baiano e minhas raízes são de Minas Gerais, cidade de meu pai e de Uauá, de minha mãe. Quando completei 17 anos meus pais resolveram se mudar para o Vale do São Francisco. No início, a adaptação foi bem difícil, confesso, mas estava no meu destino vir pra cá, porque foi aqui que pude agregar todos os conhecimentos que acumulei em São Paulo e construir minha carreira e lancei meus dois discos autorais o Alto lá lançado em 2019 e Eutrópica, que vai ser lançado em abril deste ano.
O Vale como ponto de partida
Tudo que está acontecendo hoje é por ter vindo para o Vale e conheci pessoas como o saudoso Manuca Almeida, que abriu portas para mim e tantos outros artistas que fiz parceira desde que cheguei.
Posso afirmar que o Rio São Francisco, o Vale, os artistas e a arte ribeirinha transborda na minha forma de fazer arte, sem dúvidas.
JS – As músicas que você canta são autorais, o que te inspira a compor?
AS – Tudo na vida é inspirador, mas minhas músicas tem um “Q” muito confessional, é muito do que sinto, vivo ou já vivi em algum momento da minha vida. E coloco para fora emoções em forma de música. Canto o que vivencio, me inspiro também os artistas que conheço, que admiro, na natureza, no que vejo, no meu cotidiano. Tudo é inspiração para mim.

JS – Andrezza você já participou de alguns festivais, cita eles e suas premiações?
AS – Já participei de alguns Festivais com músicas autorais, a exemplo do Festival Internacional Edésio dos Santos da Canção nos anos de 2015, 2017 e 2018, nos três anos levei algumas premiações e o mais recente foi com a música “Não Passarão” (Euri Mania/ Andrezza Santos) que ganhei o primeiro lugar, e o prêmio de melhor intérprete e júri popular. Já participei também do Festival Educadora, em Salvador, Festival da Nacional da Canção, Fenac, esses são alguns que fiquei entre os finalistas, além de programas de calouros na televisão.
JS – Conta um pouco sobre o álbum EUTRÓPICA?
AS – EUTRÓPICA é o meu segundo álbum de estúdio e nele eu trago minhas memórias e referências acumuladas pelos lugares por onde já passei. Foi produzido graças ao prêmio Jorge Portugal, da Lei Aldir Blanc do Estado da Bahia e foi lançado em formato disco-trilogia, em que cada parte (EP) tem uma estética diferente, homenageando no título signos e regiões que marcaram a minha trajetória. Junto com ele tem uma série de vídeos disponível no You tube bem como alguns videoclipes também, além da participação especial de Antônima (SP), Josyara (BA) e DJ Werson. Em março foi lançada a terceira e última parte, EUTRÓPICA: ATL NTICA que está disponível em todas as plataformas digitais.
JS – Para encerrar que mensagem você deixa para essa turma que está entrando agora no mundo da música e da arte, pois sabemos que não é um caminho fácil de trilhar?
AS – A primeira coisa é querer, a segunda é estudar muito e ter foco, a terceira é pesquisar o mercado e compreender o que tem nessa área tão extensa ligada a música e acima de tudo nunca desistir. É fato que o caminho é difícil, mas não é impossível vencer, eu mesma vivo da minha arte e do prazer que ela me proporciona.