
Voz no deserto
Nestes tempos de celebração do Natal e diante da falta de interesse em conhecer verdades profundas do cristianismo nos movemos a escrever a série de artigos que hoje inauguramos.
Postado em 11/12/2022 16:00

Jornal do Sertão
Nestes tempos de celebração do Natal e diante da falta de interesse em conhecer verdades profundas do cristianismo nos movemos a escrever a série de artigos que hoje inauguramos. No deserto da ignorância uma voz surge a fim de preparar o caminho do Cristo.
Esta voz é João Batista, filho de Zacarias e Isabel, nasceu de 4 a 6 anos antes de Jesus na área montanhosa da Judeia. Maria, mãe de Jesus, era prima de Isabel. São conhecidas as histórias de Zacarias acender uma fogueira no pico da montanha para anunciar o nascimento do filho e o encontro das primas quando Maria estava grávida.
Antes de despontar como líder do movimento precursor de Jesus, João Batista viveu como asceta, provavelmente entre os Essênios, nas proximidades de Qumram. Vestia-se como o profeta Elias, coberto por pelos de camelo tecidos rusticamente e um cinto de couro. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
As origens de João Batista
Os essênios faziam do mergulhar nas águas um rito de iniciação aos sacerdotes. João Batista foi além. Pregava o arrependimento para toda a nação de Israel e anunciava a vinda do Messias.
A imersão nas águas pelas mãos de João era o sinal externo da decisão de voltar-se para Deus. E era para todos que assim se decidiam.
Sem ambições messiânicas, João tornou-se um líder de grande poder e influência. Jesus Cristo fez questão de ser batizado nas águas por ele. Foi um momento extraordinário do cristianismo.
Jesus é mergulhado por João no Rio Jordão diante de todos, e ao sair, uma pomba branca paira no ar e a voz do Todo Poderoso, como um trovão, afirma: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.
Peregrinação e morte
O ministério de João poderia ter parado ali, mas ele continuou. Peregrinou por diversas regiões da Judeia, desta feita pregava que o Messias havia chegado, e que este era Jesus de Nazaré.
Quando voltou à Pereia, território governado por Herodes Antipas, que era seu admirador, João enfrentou a ira da segunda esposa do tetrarca, chamada Herodias, pois João apontou para a ilicitude de serem eles amantes sendo Herodias esposa do Herodes Filipe, irmão do governador.
João foi preso e, meses após, executado por decapitação, a pedido de Salomé, a filha de Herodias, no dia do aniversário de Antipas. Salomé veio a se casar com outro irmão de Herodes Antipas.
O legado de João
Interessante notar que o movimento de João Batista continuou após sua morte. Há relatos de grupos religiosos atuais que têm João Batista como patrono e fundador.
A mensagem de João foi poderosa e fugaz como um meteoro que rompe os céus e logo desaparece. Foi um profeta de tal forma iluminado que o próprio Jesus afirmou que ele era o Elias anunciado por Malaquias.
Carismático e forte, apesar de sua formação essencialmente reservada, jamais se alienou dos problemas da sociedade onde vivia e jamais se absteve de apontar os erros dos poderosos.
As diferentes visões de mundo entre João e Jesus
Entretanto ele pregava sobre um Messias militante, reformador e libertário, que, pela força iria resgatar Israel das mãos dos inimigos.
Desse modo, pode-se aferir que, preso, sabendo de todos os sinais e prodígios que Jesus estava operando, e não vendo nele algum sinal de que seria aquele tipo de líder que esperava, duvidou que Jesus fosse mesmo o Messias.
E, talvez, tenha se desapontado, quando Jesus mandou que lhe dissessem para cuidar de não tropeçar.
O desapontamento de João era compartilhado por muitos judeus daquele tempo, e esta é uma das razões para termos Judas Iscariotes entre os primeiros discípulos de Jesus, e a ferrenha oposição dos sacerdotes de Jerusalém contra Jesus.
Apesar das divergências, João é reconhecido por Jesus como aquele que é “entre os nascidos de mulher, o maior”; e o próprio João afirma “importa que Ele (Jesus) cresça, e eu diminua”.
Conclusão
Cada um de nós, em todos os tempos e lugares, com nossas próprias habilidades e limitações, somos postos a serviço de Deus, com um propósito bem específico. Cabe-nos reconhecer a missão e dedicar-se a completá-la integralmente e da melhor maneira.
José Carneiro Leão Filho
Recife, 09 de dezembro de 2022