


Lula defende moeda alternativa ao dólar e afirma: “Brasil não é republiqueta”
Presidente responde à taxação dos EUA e reforça que país deve negociar em igualdade de condições
Postado em 04/08/2025 08:08
“Eu não vou abrir mão de achar que a gente precisa procurar construir uma moeda alternativa para que a gente possa negociar com os outros países. Eu não preciso ficar subordinado ao dólar”, declarou Lula, destacando que a medida não representa uma afronta aos EUA, mas sim a defesa dos interesses estratégicos do Brasil.
Embora a Casa Branca não tenha mencionado oficialmente a proposta de substituição do dólar como motivação para o tarifaço, analistas apontam que a discussão dentro do Brics sobre uma nova moeda comum pode ter influenciado a decisão. Durante a Cúpula do Brics, marcada para os dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, o ex-presidente Donald Trump criticou o bloco e prometeu retaliar países que promovam esse tipo de mudança.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula reforçou que o Brasil quer negociar em igualdade de condições e rejeitou qualquer ideia de subserviência: “O Brasil não é uma republiqueta. Nós queremos ter relações respeitosas com todos os países, mas vamos defender o que for de interesse nacional.”
“Os EUA são muito grande, é o país mais bélico do mundo, é o país mais tecnológico do mundo, é o país com a maior economia do mundo. Tudo isso é muito importante. Mas nós queremos ser respeitados pelo nosso tamanho. Nós temos interesses econômicos e estratégicos. Nós queremos crescer. E nós não somos uma republiqueta. Tentar colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável. É inaceitável”, avaliou.
Lula fez referência às críticas dos EUA ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, um dos motivos apontados por Trump para taxar o Brasil.
O presidente brasileiro, por outro lado, acrescentou que o governo segue aberto a negociações com os EUA e que, apesar de o país norte-americano não ter mais a mesma importância econômica que já teve para o Brasil, as relações diplomáticas devem ser preservadas.
“O Brasil hoje não é tão dependente como já foi dos Estados Unidos. O Brasil tem uma relação comercial muito ampla no mundo inteiro. A gente está muito mais tranquilo do ponto de vista econômico. Mas, obviamente, que eu não vou deixar de compreender a importância da relação diplomática com os Estados Unidos, que já dura 201 anos”, afirmou.
Lula disse ainda que o governo vai trabalhar para defender as empresas e os trabalhadores afetados pelo tarifaço enquanto deixa a porta aberta para negociações com a Casa Branca.
“Vamos dizer o seguinte, ‘olha, quando quiser negociar, as propostas estão na mesa. Aliás, já foram apresentadas propostas pelo [vice-presidente] Alckmin e pelo [ministro das relações exteriores] Mauro Vieira. Então, é simplesmente isso”, finalizou.
Após a formalização do tarifaço, a Secretaria de Tesouro dos EUA entrou em contato com o Ministério da Fazenda para iniciar negociações. Na última sexta-feira (1º), o presidente Donald Trump disse que está disposto a conversar com o presidente Lula.
Segundo Haddad, o governo deve anunciar, nos próximos dias, um pacote de medidas com linhas de crédito para empresas afetadas pelo tarifaço de Trump.
Fonte Agência Brasil